31 de diciembre de 2021

Escala de biodiversidade: uma ferramenta para a identificação de áreas prioritárias para conservação na Lousã

Um dos objetivos da utilização de uma plataforma como o iNaturalist é a deteção de alterações nos ecossistemas a fim de que se possa intervir atempadamente para a sua conservação ou restauro. Outro grande objetivo é a identificação de áreas prioritárias para intervenção, necessariamente muito restritas devido à escassez de recursos disponíveis. Foi com estes dois grandes objetivos que comecei a realizar registos na Lousã há cerca de um ano e meio.
A principal ameaça à biodiversidade na Lousã é a expansão de espécies exóticas invasoras. Para facilitar o estudo deste problema foram criados os projetos "Biodiversidade autóctone da Lousã" [1] e "Flora exótica invasora na Lousã" [2].
Após a realização de algumas centenas de observações percebi que o mero mapeamento da presença de espécies exóticas invasoras não era suficiente para a identificação de áreas prioritárias para conservação, pois atualmente algumas dessas espécies estão presentes em praticamente todo o concelho: era necessário quantificar a presença dessas espécies em cada local com vista à identificação de algumas áreas menos invadidas e por isso aptas para conservação a longo prazo com poucos recursos. Para isso foi criada uma escala de invasão por flora exótica com 10 níveis, a qual sofreu algumas revisões até ser consolidada no início de 2021 [3] [4].
Mais recentemente, enquanto realizava observações num dos vales menos invadidos da Lousã [5], percebi que para identificar áreas prioritárias para conservação não bastava quantificar a presença de espécies exóticas invasoras: era necessário quantificar o grau de biodiversidade em cada local. Os pinhais jovens deste vale - precisamente os menos invadidos por acácias - nunca foram sujeitos a desbaste, são muito densos e poucas espécies crescem à sombra desses pinheiros (carqueja, por vezes aderno-de-folha-estreita e pouco mais). As zonas com maior biodiversidade são as que têm alguma exposição solar, e nessas zonas a presença de acácias e háqueas é geralmente significativa. A escolha dos melhores locais para conservação requer uma cuidadosa ponderação de dois aspetos - presença de invasoras e biodiversidade autóctone - e para isso importa avaliar essa biodiversidade de uma forma mais quantitativa. Foi assim que surgiu uma "escala de biodiversidade" [6] organizada em 10 níveis de 0 a 9 à semelhança da escala de invasão [4].
Para garantir alguma uniformidade temporal e espacial na aplicação desta escala, irei descrever em seguida cada um dos níveis, tentando identificar algumas espécies caraterísticas de cada nível de biodiversidade (por contraste com o nível imediatamente anterior). Essa identificação será baseada nas memórias e registos de centenas de horas de observação da flora lousanense [7], bem como nos dados da Flora-on [8] [9] [10] [11]. Alguns níveis de biodiversidade estão frequentemente associados a determinados níveis de invasão (por exemplo b1 com i9, b2 com i9 ou i8, b3 com i8, b4 com i7, etc.), por isso também serão consideradas as espécies já registadas na Lousã consoante o nível de invasão (por exemplo i9 [12] [13] [14]).
À semelhança do que aconteceu com a escala de invasão [3], também esta escala poderá evoluir durante os primeiros meses da sua aplicação, à medida que a experiência no terreno for proporcionando uma noção mais precisa das diferenças entre os vários níveis e das espécies caraterísticas de cada nível. Assim, as listas de espécies indicadas para cada nível poderão ser revistas mais tarde com base nas espécies efetivamente observadas nos locais identificados com cada nível de biodiversidade. Será particularmente importante rever a distinção entre os níveis 4 [15] [16], 5 [17] [18] e 6.

  • 0 - no vegetation
    "Example: dump site filled with toxic waste." [6, comentários]
    O nível de biodiversidade vegetal autóctone 0 é reservado para locais onde não são observáveis plantas vasculares: lagoas de lamas tóxicas, grandes áreas asfaltadas, etc..

  • 1 - aliens only
    "Example: dense forest of Acacia dealbata with no grasses or shrubs underneath."
    O nível 1 é reservado para locais onde a presença de espécies exóticas invasoras é tão densa e consolidada que já não são observáveis plantas vasculares de espécies autóctones (nível de invasão 9: mais de 97% de área invadida). Se porventura existirem algumas espécies autóctones não detetadas, deverão ser árvores adultas anteriores à invasão, provavelmente pertencentes a uma das seguintes espécies [14] [12] [13] [17]:
    Quercus suber
    Arbutus unedo
    Quercus robur
    Castanea sativa
    Pinus pinaster
    Laurus nobilis
    Frangula alnus
    Olea europaea
    Acer pseudoplatanus

  • 2 - few natives
    "Example: dense forest of Acacia dealbata with some scattered shrubs of Phillyrea angustifolia and/or Arbutus unedo."
    Os locais com biodiversidade de nível 2 na Lousã são habitualmente acaciais, eucaliptais ou pinhais bastante densos (nível de invasão 9 - mais de 97%) onde são observáveis apenas "duas ou três" espécies autóctones (geralmente arbustivas) com poucos metros de distância entre plantas.
    Algumas espécies mais comuns nesses (A) acaciais, (E) eucaliptais ou (P) pinhais da Lousã [12] [13] [14] [19]:
    (AEP) Phillyrea angustifolia
    (P) Genista tridentata
    (AE) Arbutus unedo
    (EP) Pteridium aquilinum
    (a?Ep) Cistus ladanifer
    (aP) Digitalis purpurea
    (A) Asplenium onopteris
    (A) Asplenium cf. adiantum-nigrum
    (A) Asplenium cf. ceterach
    (A) Viola cf. riviniana
    (A) Silene latifolia
    (Ap?) Hypochaeris radicata
    (A) Crataegus monogyna

  • 3 - several natives
    "Example: similar to 2 with some scattered plants of Quercus spp., Drimia maritima, Erica spp., Genista spp., Cistus spp., etc."
    Os locais de nível b3 na Lousã são habitualmente acaciais, eucaliptais ou pinhais um pouco menos densos (tipicamente nível de invasão 8) onde já encontramos "meia dúzia" de espécies autóctones mais comuns - geralmente um misto de árvores e arbustos - com "baixa densidade" (menos abundantes que as espécies exóticas).
    Algumas espécies mais caraterísticas desses locais [20] [21] 22:
    (AEP) Ulex minor
    (AEP) Cistus psilosepalus
    (AEP) Genista triacanthos
    (AEP) Erica cinerea
    (AEP) Rubus (R. ulmifolius)
    (AEP) Ruscus aculeatus
    (a?EP) Calluna vulgaris
    (a?EP) Quercus lusitanica
    (A) Polystichum setiferum
    (AE) Salix atrocinerea
    (P) Frangula alnus
    (a?e?P) Erica arborea
    (Ae?p?) Hedera
    (a?e?P) Daphne gnidium
    (Ae?P) Umbilicus rupestris
    (AEP) Cytisus (C. striatus)
    (Ae?P) Galium aparine
    (Ap?) Drimia maritima
    (a?Ep) Myrtus communis
    (Ae?p) Lysimachia arvensis
    (Ae?p?) Oloptum milliaceum
    (Ae?) Sambucus nigra

  • 4 - most natives
    "Example: sparse forest of Acacia dealbata with most of the abundant species Quercus suber, Quercus robur, Erica cinerea, Erica umbellata, Genista triacanthos, Genista tridentata, Cistus psilosepalus, Glandora prostrata, Drimia maritima."
    Os locais de nível b4 na Lousã são habitualmente acaciais, eucaliptais ou pinhais pouco densos (tipicamente nível i7 ou i6: acácias jovens ou rebentos de eucaliptos cortados recentemente) onde encontramos grande densidade de plantas de espécies autóctones (por exemplo urzais ou giestais densos onde a flora autóctone predomina sobre a flora exótica) mas um número de espécies autóctones relativamente pequeno ("uma dezena" ou menos).
    Algumas espécies mais caraterísticas desses locais [19] [23] [20] [24] 25:
    (Ae?P) Erica umbellata
    (AEp?) Genista falcata
    (a?e?P) Rubia peregrina
    (AEP) Glandora prostrata
    (AEP) Simethis mattiazzii
    (Ae?P) Coleostephus myconis
    (Ae?P) Cistus salviifolius
    (AEp) Holcus lanatus
    (Ae?P) Lavandula stoechas
    (Ae?) Carex pendula
    (Ae?p) Mentha suaveolens
    (Ae?p) Dittrichia viscosa
    (a?E) Vinca difformis
    (Ap?) Persicaria maculosa
    (Ae?p) Lonicera periclymenum
    (a?P) Andryala integrifolia
    (Ae?p?) Rumex (R. acetosa, R. acetosella, R. pulcher)
    (Ae?P) Smilax aspera
    (Ae?p?) Daucus carota
    (Ae?P) Prunella vulgaris
    (A) Hypericum androsaemum
    (Ae?p?) Myosotis
    (Ae?p?) Mentha pulegium
    (Ae?p?) Silene gallica
    (Ae?p?) Rhamnus alaternus
    (Ae?p?) Chamaemelum (C. mixtum, C. nobile)
    (Ae?P) Anarrhinum bellidifolium
    (Ae?p?) Plantago lanceolata
    (Ae?p?) Lamium maculatum
    (Ae?p?) Dactylis glomerata
    (Ae?p?) Foeniculum vulgare
    (Ae?p?) Trifolium repens
    (Ae?p?) Chenopodium album
    (Ae?p?) Briza (B. maxima)
    (Aep?) Acer pseudoplatanus
    (a?Ep?) Cichorium intybus
    (a?Ep?) Sonchus oleraceus
    (Ae?p?) Juncus effusus

  • 5 - mostly functional
    "Example: similar to 4 with not-so-abundant species (such as Hypericum humifusum, Hypericum androsaemum, Potentilla erecta, Arenaria montana, Erica ciliaris, Pulicaria odora, Primula acaulis, Teucrium scorodonia, Jasione montana, Cistus salviifolius, Cistus ladanifer, Lavandula stoechas) and limited presence of invasive alien species."
    Os locais de nível b5 na Lousã são habitualmente clareiras ou orlas de pinhais com alguma presença de outras espécies arbóreas - por vezes também clareiras ou orlas de eucaliptais ou acaciais, ou antigos pinhais ou soutos cortados há poucos anos - onde facilmente encontramos "mais de uma dezena" de espécies autóctones incluindo algumas "menos comuns".
    Algumas espécies mais caraterísticas desses locais (além das já referidas nos níveis anteriores):
    (Ae?p?) Phillyrea latifolia
    (Ae?P) Hypericum humifusum
    (Ae?P) Potentilla erecta
    (Ae?p?) Ficaria verna
    (a?e?p?) Arenaria montana
    (AEp?) Omphalodes nitida
    (a?e?p?) Jasione montana
    (Ae?p?) Bellis
    (Ae?P) Sanguisorba (S. verrucosa)
    (Ae?P) Lotus (L. corniculatus, L. pedunculatus)
    (AEP?) Primula vulgaris
    (Ae?p?) Reseda (R. media)
    (Ae?p?) Bryonia cretica dioica
    (Ae?p?) Polygonum aviculare
    (Ae?p?) Echium rosulatum
    (Ae?p?) Sherardia arvensis
    (Ae?p?) Teucrium scorodonia
    (Ae?p?) Linum bienne
    (Ae?p?) Eupatorium cannabinum
    (Ae?p?) Misopates orontium
    (Ae?p?) Fallopia convulvus
    (Ae?p?) Ranunculus
    (Ae?p?) Viburnum tinus
    (Ae?p?) Dioscorea communis
    (Ae?p?) Clinopodium vulgare
    (Ae?p?) Taraxacum
    (a?Ep?) Vicia (V. sativa)
    (Ae?p?) Briza minor
    (a?Ep?) Rosa (R. sempervirens)
    (Ae?p?) Helleborus foetidus
    (a?Ep?) Lythrum hissopifolia
    (AEP) Brachypodium sylvaticum
    (a?Ep?) Tuberaria guttata
    (a?Ep?) Blackstonia (B. perfoliata, B. acuminata)
    (a?Ep?) Lactuca viminea
    (a?Ep?) Stellaria media
    (a?e?p?) Geranium molle
    (a?Ep?) Centaurium
    (a?e?p?) Verbascum (V. virgatum, V. sinuatum)
    (Ae?p?) Struthiopteris spicant

  • 6 - mature ecosystem
    "Description: a diverse, self-regenerating, locally unthreatened ecosystem (if some exotic species are present they do not [yet] exhibit invasive behaviour)."
    Os locais de nível b6 são locais pouco perturbados, pouco ameaçados, com grande biodiversidade ("bem mais de uma dezena" de espécies autóctones) mas onde não foram identificadas espécies raras. Na Lousã situam-se habitualmente em vales muito encaixados (geralmente escorrendo para norte) ou encostas mais altas (geralmente orientadas para norte ou nordeste). Não deve haver presença de espécies exóticas ou estas não devem exibir comportamento invasor (por exemplo avoadinhas, eucaliptos isolados ou eventualmente acácias isoladas sem evidência de germinação). Excecionalmente, em áreas globalmente muito invadidas (por exemplo o vale da Ribeira Menor [5]), admite-se que sejam classificados com nível b6 os raros locais que conjugam uma grande biodiversidade com uma reduzida presença de espécies exóticas: se estas já apresentarem comportamento invasor deverão ser pouco abundantes e controláveis manualmente (nível de invasão inferior ou eventualmente igual a 4 - área invadida inferior ou igual a 1%).
    Algumas espécies mais caraterísticas do nível de biodiversidade 6 (além das já referidas nos níveis anteriores):
    Quercus rotundifolia
    Quercus pyrenaica
    Pinus sylvestris
    Ilex aquifolium
    Erica australis
    Tuberaria lignosa
    Campanula lusitanica
    Lobelia urens
    Galium rotundifolium
    Melica uniflora
    Sedum arenarium
    Ranunculus bupleuroides
    Geranium (G. robertianum, G. columbinum, G. lucidum)
    Petrosedum (P. forsterianum)
    Centaurium maritimum
    Agrostis (A. delicatua)
    Erica scoparia
    Cirsium vulgare
    Carduus (C. pycnocephalus)

  • 7 - mature endemic
    "Description: similar to 6 with some endemic species with limited distribution."
    Nestes locais, além da presença de um grande número de espécies autóctones ("bem mais de uma dezena" de espécies de plantas vasculares) exige-se a presença de espécies endémicas e/ou ameaçadas. Se existirem espécies endémicas mas não ameaçadas (isto é, espécies abundantes em Portugal continental) deve exigir-se a ausência de espécies exóticas invasoras; se existirem espécies ameaçadas admite-se a atribuição de nível b7 a locais onde ocorram espécies exóticas invasoras pois nesse caso é evidente a necessidade de preservar esses locais.
    Algumas espécies cuja ocorrência na Lousã poderá justificar a atribuição de nível b7:
    Asphodelus lusitanicus (endemismo lusitânico)
    Rubus genevieri (espécie ameaçada em Portugal continental)

  • 8 - pristine ecosystem
    "Description: an ecosystem that apparently was never affected by human intervention."
    Locais com grande biodiversidade onde não são percetíveis marcas de intervenção humana. Alegadamente será o caso de algumas áreas do Parque Natural da Arrábida. Na Lousã poderão existir alguns locais com estas caraterísticas na Mata do Sobral (cascalheiras nas zonas mais altas da encosta que não foram afetadas pelo incêndio de 2017) ou nos Baldios do Candal, Cerdeira e Catarredor, mas a atribuição de nível b8 só poderá ser feita por um biólogo após cuidadosa observação do local.

  • 9 - pristine endangered
    "Description: unaffected ecosystem with very rare species."
    Locais com presença de espécies ameaçadas - nomeadamente espécies raras a nível global - sobretudo se também forem cumpridos os critérios dos níveis anteriores (grande biodiversidade autóctone e ausência de marcas de intervenção humana, nomeadamente ausência de espécies exóticas invasoras). As espécies raras - com estatuto de conservação a nível mundial - poderão ser quaisquer espécies, não necessariamente plantas vasculares.
    Não existem muitas espécies de plantas vasculares presentes em Portugal - particularmente na região centro - que sejam mundialmente raras: as espécies referidas na Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental são quase sempre espécies relativamente comuns noutros países, nomeadamente no centro e norte da Europa. Veja-se por exemplo a descrição de Daphne laureola: "é uma planta de ampla distribuição europeia, mas que em Portugal continental apenas ocorre na serra de Sintra, numa área muito restrita, estimando-se que a população nacional seja inferior a 600 indivíduos maduros." [27] Outras espécies ameaçadas são efetivamente endemismos ibéricos mas apenas ocorrem no sul de Portugal [28] [29] [30]. Aparentemente existe uma única espécie de planta vascular ameaçada em Portugal, endémica do nosso país, e que eventualmente poderá ocorrer na Lousã (por exemplo nos soutos e carvalhais do vale da Ribeira Maior):
    Asphodelus bento-rainhae [31]

  • [1] Biodiversidade autóctone da Lousã: https://www.biodiversity4all.org/projects/biodiversidade-autoctone-da-lousa
  • [2] Flora exótica invasora na Lousã: https://www.biodiversity4all.org/projects/flora-exotica-invasora-na-lousa
  • [3] Escala de invasão por flora exótica: https://www.biodiversity4all.org/projects/flora-exotica-invasora-na-lousa/journal/54548-quantificacao-do-grau-de-invasao-por-flora-exotica-escala-criterios-sugestoes-para-uma-rapida-inclusao-dessa-informacao-em-cada-registo
  • [4] Invasion extent: https://www.biodiversity4all.org/observation_fields/12426
  • [5] Vale da Ribeira Menor: https://www.biodiversity4all.org/observations?place_id=177882&subview=map&user_id=mferreira&verifiable=any
  • [6] Plant biodiversity: https://www.biodiversity4all.org/observation_fields/14388
  • [7] Observações de M Ferreira na Lousã: https://www.biodiversity4all.org/observations?place_id=18314&subview=map&user_id=mferreira&verifiable=any
  • [8] Plantas vasculares com presença confirmada no concelho da Lousã: https://flora-on.pt/#/1lous%c3%a3
  • [9] Plantas vasculares com presença confirmada na Serra da Lousã (Rede Natura 2000): https://flora-on.pt/#/1serra+da+lous%c3%a3
  • [10] Plantas vasculares com presença confirmada na província Noroeste Montanhoso: https://flora-on.pt/#/1noroeste+montanhoso
  • [11] Plantas vasculares com presença confirmada na província Noroeste Ocidental: https://flora-on.pt/#/1noroeste+ocidental
  • [12] Observações na Lousã em locais com invasão de nível 9 por Acacia spp. - indicação "i9 A." na descrição da observação: https://www.biodiversity4all.org/observations?place_id=18314&q=i9%20A.&subview=map&user_id=mferreira&verifiable=any&view=species
  • [13] Observações na Lousã em locais com invasão de nível 9 por Eucalyptus globulus - indicação "i9 A.glo" na descrição da observação: https://www.biodiversity4all.org/observations?place_id=18314&q=i9%20E.glo&subview=map&user_id=mferreira&verifiable=any&view=species
  • [14] Observações na Lousã em locais com invasão de nível 9 - etiqueta "invasion: 9 - complete": https://www.biodiversity4all.org/observations?place_id=18314&q=invasion:%209%20-%20complete&subview=map&user_id=mferreira&verifiable=any&view=species
  • [15] Observações na Lousã em locais com biodiversidade de nível 4 - campo "Plant biodiversity" preenchido com a opção "4 - most natives (E. umbellata)": https://www.biodiversity4all.org/observations?verifiable=any&place_id=any&field:Plant%20biodiversity=4%20-%20most%20natives%20(E.%20umbellata)
  • [16] Observações na Lousã em locais com biodiversidade de nível 4 - indicação "b4" na descrição da observação: https://www.biodiversity4all.org/observations?place_id=18314&q=b4&subview=map&user_id=mferreira&verifiable=any&view=species* [17] Espécies arbóreas com distribuição semelhante à de Acacia dealbata: https://flora-on.pt/#/1distribui%c3%a7%c3%a3o~acacia+dealbata+*%c3%a1rvore
  • [17] Observações na Lousã em locais com biodiversidade de nível 5 - campo "Plant biodiversity" preenchido com a opção "5 - mostly functional (H. humifusum)": https://www.biodiversity4all.org/observations?place_id=18314&subview=map&user_id=mferreira&verifiable=any&view=species&field:Plant%20biodiversity=5%20-%20mostly%20functional%20(H.%20humifusum)
  • [18] Observações na Lousã em locais com biodiversidade de nível 5 - indicação "b5" na descrição da observação: https://www.biodiversity4all.org/observations?place_id=18314&q=b5&subview=map&user_id=mferreira&verifiable=any&view=species
  • [19] Todas as plantas vasculares com distribuição semelhante à de Acacia dealbata: https://flora-on.pt/#/1distribui%C3%A7%C3%A3o~acacia+dealbata
  • [20] Espécies com distribuição semelhante à de Pinus pinaster: https://flora-on.pt/#/1distribui%c3%a7%c3%a3o~pinus+pinaster
  • [21] Observações na Lousã em locais com invasão de nível 8 - indicação "i8" na descrição da observação: https://www.biodiversity4all.org/observations?place_id=18314&q=i8&subview=map&user_id=mferreira&verifiable=any&view=species
  • [22] Observações na Lousã em locais com invasão de nível 8 - etiqueta "invasion: 8 - finalising": https://www.biodiversity4all.org/observations?place_id=18314&q=invasion:%208%20-%20finalising&subview=map&user_id=mferreira&verifiable=any&view=species
  • [23] Todas as plantas vasculares com distribuição semelhante à de Eucalyptus globulus: https://flora-on.pt/#/1distribui%C3%A7%C3%A3o~eucalyptus+globulus
  • [24] Observações na Lousã em locais com invasão de nível 7 - indicação "i7" na descrição da observação: https://www.biodiversity4all.org/observations?place_id=18314&q=i7&subview=map&user_id=mferreira&verifiable=any&view=species
  • [25] Observações na Lousã em locais com invasão de nível 7 - etiqueta "invasion: 7 - uncontrollable": https://www.biodiversity4all.org/observations?place_id=18314&q=invasion:%207%20-%20uncontrollable&subview=map&user_id=mferreira&verifiable=any&view=species
  • [26] Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental: https://listavermelha-flora.pt/
  • [27] Daphne Laureola - Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental: https://listavermelha-flora.pt/flora-single/?slug=Daphne-laureola
  • [28] Anchusa puechii - Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental: https://listavermelha-flora.pt/flora-single/?slug=Anchusa-puechii
  • [29] Armeria gaditana - Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental: https://listavermelha-flora.pt/flora-single/?slug=Armeria-gaditana
  • [30] Armeria velutina - Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental: https://listavermelha-flora.pt/flora-single/?slug=Armeria-velutina
  • [31] Asphodelus bento-rainhae - Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental: https://listavermelha-flora.pt/flora-single/?slug=Asphodelus-bentorainhae-subsp.-bentorainhae

Ingresado el 31 de diciembre de 2021 por mferreira mferreira | 0 comentarios | Deja un comentario

12 de noviembre de 2021

04 de septiembre de 2021

Nível de invasão por "quadrícula" de 0,001 graus de latitude/longitude: procedimento para obtenção de um valor representativo

Num momento em que já realizei várias avaliações de nível de invasão por flora exótica em algumas "quadrículas" com 0,001 graus de latitude/longitude, adotarei o seguinte procedimento para determinar um valor representativo do nível de invasão em toda a quadrícula:

PRIMEIRO PASSO: exportar e organizar registos do nível de invasão

  • Exportar para um ficheiro 0 as observações num retângulo que contenha a área em estudo.
    Devido a alguns problemas com descrições longas, opto por exportar vários ficheiros em separado: um com o número da observação, o táxon e os dados de localização; outro com o número da observação e a descrição; outro com o número da observação e as etiquetas; outro com o número da observação e o campo "invasion extent".

  • Para cada observação, extrair o nível de invasão que poderá estar registado na descrição (por exemplo "i1"), nas etiquetas ("invasion: 1 - likely") ou no campo "Invasion extent".

SEGUNDO PASSO: eliminar redundâncias

  • Guardar num ficheiro 0a os registos com localização aproximada (centrados na quadrícula - ambas as coordenadas da forma xx.xxx5 - ou com raio de incerteza superior a 40 metros) e num ficheiro 0b os registos com localização mais rigorosa (não centrados na quadrícula e sem raio de incerteza ou com raio até 40 metros).
  • No ficheiro 0a: agrupar os dados por data e quadrícula e em cada grupo manter apenas o registo com o nível de invasão mais elevado.
  • No ficheiro 0b: agrupar os dados por data e sub-quadrícula de 0,0005 graus de latitude/longitude (4 sub-quadrículas por quadrícula) e em cada grupo manter apenas o registo com o nível de invasão mais elevado.
  • Juntar os dois ficheiros, obtendo assim um ficheiro 1 com registos não redundantes.

TERCEIRO PASSO: obter um nível de invasão representativo para cada quadrícula

  • Agrupar as observações do ficheiro 1 em "quadrículas" com 0,001 graus de latitude/longitude.
  • Extrair para um ficheiro à parte (ficheiro 2) os registos das quadrículas com uma única observação: considerar-se-á representativa de toda a quadrícula.
  • Nas quadrículas com registos múltiplos, identificar as observações com coordenadas aproximadas (raio maior que 40 metros ou coordenadas exatamente centradas na quadrícula) e extraí-las para um ficheiro 3. No ficheiro 1 ficam apenas os registos com coordenadas mais ou menos rigorosas (raio não superior a 40 metros) relativos a quadrículas com mais de uma observação.
    Nesse ficheiro 1:

  • Agrupar as observações em sub-quadrículas com 0,0005 graus de latitude/longitude.
  • Reter apenas a observação mais recente em cada sub-quadrícula e voltar a juntar em quadrículas com 0,001 graus de latitude/longitude.
  • Ordenar as observações (representativas das sub-quadrículas) por ordem decrescente do nível de invasão.
  • Calcular o nível máximo MAX e o nível mínimo MIN registados na quadrícula.
  • Tomar MAX como valor representativo da quadrícula, excepto se MAX>=8 e MIN<=7:
    se MAX>=8 e MIN<=6, considerar nível 7 (25%-85% de área invadida);
    se MAX>=8 e MIN=7, considerar nível 8 (85%-97% de área invadida).

  • Juntar a este ficheiro 1 os registos do ficheiro 3 (registos com coordenadas aproximadas que não permitem agrupamento em sub-quadrículas).
  • No ficheiro conjunto 1+3 reagrupar as observações por quadrícula e reter apenas a observação mais recente em cada quadrícula.

QUARTO PASSO: guardar

  • Juntar as observações do ficheiro 2 (que eram únicas nas respetivas quadrículas).
  • Substituir as coordenadas da observação representativa pelas coordenadas do centro da quadrícula que ela representa.
  • Guardar o ficheiro final.

Ingresado el 04 de septiembre de 2021 por mferreira mferreira | 0 comentarios | Deja un comentario

23 de julio de 2021

Grau de invasão por flora exótica: sugestões para uma rápida quantificação e inclusão dessa informação em cada registo no iNaturalist

Desde que comecei a utilizar o iNaturalist há cerca de um ano, uma das principais preocupações foi o mapeamento das espécies exóticas invasoras e a quantificação da sua presença em cada local. Comecei a "carimbar" as fotografias com as coordenadas GPS e a agrupar as fotografias em "quadrículas" com base nessas coordenadas, para obter uma amostra mais representativa do estado de conservação de cada local (cada "quadrícula"). Concluí que uma forma simples de efetuar esse agrupamento seria truncar as coordenadas com 3 casas decimais, o que corresponde a arredondar por defeito à milésima do grau: cada "quadrícula" assim definida, com 0,001 graus de latitude por 0,001 graus de longitude, tem aproximadamente a forma de um retângulo com 111 metros de altura (norte-sul) por 85 metros de largura (este-oeste) à latitude de 40 graus (a largura varia com a latitude), corresponde a cerca de 1 hectare. Assim, a referência para quantificação do grau de invasão passou a ser uma área de 1 ha em redor do local de observação. Considerando uma área circular em vez de retangular, isto corresponderia a um raio de cerca de 60 metros.

Em seguida houve a necessidade de definir uma escala de invasão por flora exótica. A primeira escala era inteiramente qualitativa, baseada numa avaliação subjetiva do risco de invasão ou do esforço necessário para reverter essa invasão [1, comentários] [2]. Em seguida houve uma tentativa de converter os critérios subjetivos em critérios mais objetivos baseados no esforço humano necessário para reverter a invasão numa área de 1 ha [3]. Houve ainda uma tentativa de converter horas de trabalho em número de plantas ou percentagem de área invadida. No entanto, a diversidade de critérios (horas de trabalho, número de plantas, área invadida) complicava a implementação da escala.

Já nessa fase se reparou que parecia existir um fator de 5 entre a área máxima invadida em cada nível e a área máxima invadida no nível seguinte. Este crescimento aproximadamente exponencial (nos níveis inferiores) é compatível com um modelo logístico, o qual costuma descrever bem a expansão de populações de seres vivos. Assim, a certa altura tentou-se ajustar uma função logística a alguns pares (nível de invasão, percentagem máxima de área invadida) [4]. No entanto, algumas das percentagens máximas de área invadida não eram fáceis de memorizar. Assim, optou-se por fixar "valores de corte" mais simples [5].

Esta última versão da escala, definida a 15 de março de 2021, não sofreu mais alterações e pode ser definida resumidamente da seguinte forma:

  • Nível 0: probabilidade de invasão num prazo de 5 anos inferior a 50%.
  • Nível 1: probabilidade a 5 anos superior ou igual a 50% mas sem invasão visível no momento da observação.
  • Níveis 2-6: a percentagem máxima de área invadida segue uma progressão geométrica de razão 5; o nível de invasão 5 corresponde a um máximo de 5% de área invadida.
  • Níveis 6-8: a percentagem mínima de área não invadida segue uma progressão geométrica de razão 1/5.

Como registar o nível de invasão em cada observação no iNaturalist?

  • Uma forma simples é preencher o campo "Invasion extent" [1], cujas opções de preenchimento descrevem resumidamente cada um dos 10 níveis de invasão.
  • Outra possibilidade é acrescentar a cada observação uma etiqueta (tag) correspondente ao nível de invasão. Em [1, comentários] e [2] é sugerida uma etiqueta para cada nível de invasão.
  • Outra possibilidade ainda mais simples é escrever uma das abreviaturas i0, i1, ..., i9, logo no início da descrição da observação. Este procedimento tem diversas vantagens: as descrições são pesquisáveis (mais facilmente do que os campos), podem ser exportadas (tal como as etiquetas e os campos) e são fáceis de inserir na aplicação para telemóvel (os campos apenas podem ser preenchidos na aplicação adicionando a observação a um projeto que esteja associado a esse campo; aparentemente não existe qualquer forma de adicionar etiquetas usando a aplicação). A principal desvantagem é a necessidade de memorizar as definições dos 10 níveis da escala.

Eis a escala completa. Para cada nível é indicado o código abreviado (para inserir no início da descrição da observação quando a mesma é registada na aplicação para telemóvel), a etiqueta correspondente a esse nível (a qual pode ser usada se o registo for efetuado através da página web), a definição baseada em percentagem de área invadida (definição que deve ser considerada sempre que possível), uma definição quantitativa alternativa baseada no esforço necessário para reverter a invasão e a definição qualitativa original (definição que deverá ser considerada quando não for viável aplicar as anteriores).
A avaliação do nível de invasão é sempre realizada considerando uma área de 1 hectare (cerca de 60 metros de raio) em redor do local de observação. É perfeitamente tolerável uma incerteza de 1 nível na avaliação do grau de invasão.

  • i0
    invasion: 0 - absent
    Probabilidade de invasão nos próximos 5 anos inferior a 50%.
    Não foram avistadas plantas de espécies exóticas invasoras no local nem nas imediações.

  • i1
    invasion: 1 - likely
    Probabilidade de invasão nos próximos 5 anos superior ou igual a 50%.
    Foram avistadas plantas de espécies exóticas invasoras nas imediações mas não num raio de 60 metros.
    Também poderá considerar-se uma invasão de nível 1 se existirem no local poucas plantas de espécies exóticas que ainda não apresentam comportamento invasor - por exemplo Cyperus eragrostis, Eucalyptus sp., Medicago arabica, Oenothera rosea, ou mesmo Erigeron sumatrensis em alguns locais.

  • i2
    invasion: 2 - beginning
    Área invadida inferior ou igual a 0,04% - 4 metros quadrados por hectare (aproximadamente a área de um automóvel). [Esta avaliação deve ter em conta a densidade de plantas: se forem observadas poucas plantas dispersas por uma área significativa, deve imaginar-se a área que seria ocupada pelo mesmo número de plantas numa mancha densa. Por exemplo: uma mancha densa de mimosas jovens na iminência de começar a produzir semente - cerca de 3 anos de idade, 3 metros de altura, 4 cm de diâmetro do tronco - pode ter cerca de meia dezena de plantas por metro quadrado; assim, se numa área de 1 hectare em redor do local de observação existirem até 20 acácias jovens dispersas, poderá considerar-se uma invasão de nível 2.]
    A eliminação definitiva das plantas de espécies exóticas invasoras requer no máximo 10 horas de trabalho voluntário (apenas com utensílios manuais), por exemplo um grupo de dimensão familiar intervindo durante parte de uma manhã.

  • i3
    invasion: 3 - significant
    Área invadida inferior ou igual a 0,2% - 20 metros quadrados por hectare (aproximadamente a dimensão de uma sala ou garagem).
    A eliminação definitiva das plantas de espécies exóticas invasoras requer no máximo 50 horas de trabalho voluntário (apenas com utensílios manuais), por exemplo um grupo organizado intervindo durante uma ou duas manhãs.

  • i4
    invasion: 4 - massive
    Área invadida inferior ou igual a 1% - 100 metros quadrados por hectare (aproximadamente a dimensão de uma casa).
    A eliminação definitiva das plantas de espécies exóticas invasoras requer no máximo 20 horas de trabalho especializado (por exemplo com motosserras e aplicação de herbicida), compatível com os meios humanos e técnicos de uma autarquia ou de uma associação de produtores florestais.

  • i5
    invasion: 5 - overwhelming
    Área invadida inferior ou igual a 5% - 500 metros quadrados por hectare (aproximadamente a dimensão de um campo de futsal).
    A eliminação definitiva das plantas de espécies exóticas invasoras requer no máximo 100 horas de trabalho especializado, apenas viável no âmbito de um projeto com financiamento externo especificamente orientado para o restauro de ecossistemas.

  • i6
    invasion: 6 - irreversible
    Área invadida inferior ou igual a 25%, área não invadida superior ou igual a 75%.
    A eliminação definitiva das plantas de espécies exóticas invasoras seria tão onerosa que se torna impossível na prática. No entanto é possível conter a invasão, impedindo a expansão da mancha invadida.

  • i7
    invasion: 7 - uncontrollable
    Área invadida inferior ou igual a 85%, área não invadida superior ou igual a 15%.
    As plantas de espécies exóticas invasoras são tão abundantes que já não será possível impedir a expansão da mancha invadida. No entanto, ainda é possível observar no local a maioria das espécies autóctones que estariam presentes antes da invasão.

  • i8
    invasion: 8 - finalising
    Área invadida inferior ou igual a 97%, área não invadida superior ou igual a 3%.
    Além de já não ser possível impedir a expansão ou adensamento da mancha invadida, também já é percetível uma marcada redução da biodiversidade autóctone, permanecendo apenas alguns exemplares ou pequenas manchas das espécies outrora mais abundantes (por exemplo Arbutus unedo, Cistus psilosepalus, Daphne gnidium, Genista triacanthos, Genista tridentata, Phillyrea angustifolia, Pteridium aquilinum, Quercus robur, Quercus suber).

  • i9
    invasion: 9 - complete
    Área invadida superior a 97%, área não invadida inferior a 3%.
    A invasão atingiu praticamente o seu auge, com densidade máxima de flora exótica e presença mínima de flora autóctone. Poderão restar algumas espécies autóctones que conseguem coexistir com as espécies exóticas (por exemplo alguns fetos e gramíneas) ou exemplares isolados de outras espécies que já não conseguem produzir descendência (por exemplo medronheiros, carvalhos ou castanheiros isolados, cujas sementes já não germinam devido ao ensombramento ou alterações no solo resultantes da invasão por espécies exóticas).

[1] https://www.biodiversity4all.org/observation_fields/12426
[2] https://www.inaturalist.org/journal/mferreira/40453-uma-escala-para-avaliar-a-presenca-de-especies-exoticas-invasoras-em-cada-local
[3] https://www.biodiversity4all.org/journal/mferreira/42127-criterios-objetivos-para-a-determinacao-do-nivel-de-invasao-por-flora-exotica
[4] https://www.biodiversity4all.org/journal/mferreira/47719-fixacao-de-criterios-para-a-determinacao-do-nivel-de-invasao-por-acacias-com-base-na-percentagem-de-area-invadida
[5] https://www.biodiversity4all.org/journal/mferreira/47736-nivel-de-invasao-por-especies-exoticas-escala-simplificada-baseada-na-percentagem-de-area-invadida

Ingresado el 23 de julio de 2021 por mferreira mferreira | 1 comentario | Deja un comentario

22 de julio de 2021

Importação de registos em formato CSV: uma forma de acelerar o mapeamento da biodiversidade da Lousã

Ao longo dos últimos dois anos, desde que comecei a efetuar registos de espécies invasoras em https://invasoras.pt - e sobretudo ao longo do último ano, desde que comecei a usar o iNaturalist - tenho tentado percorrer todo o concelho da Lousã para caraterizar a biodiversidade autóctone e as espécies exóticas invasoras presentes em cada local. Desde que elaborei uma escala com 10 níveis para quantificação do grau de invasão (campo "Invasion extent") acrescento essa informação a cada novo registo (muitas vezes na forma de uma simples abreviatura - i0, i1, ..., i9 - na descrição da observação). O objetivo é identificar áreas com grande biodiversidade e reduzida presença de espécies exóticas invasoras, com vista à criação de uma "rede de micro-reservas" suficientemente vasta para conter a maioria das espécies autóctones mas suficientemente restrita para poder ser conservada a longo prazo (nomeadamente através de voluntariado).

Infelizmente nem sempre encontro tempo para registar todas as observações efetuadas ou todas as espécies observáveis em cada imagem... e os registos pendentes vão-se acumulando. Neste momento tenho vários milhares de fotografias de espécies observadas na Lousã à espera de tempo para as registar.

Há alguns dias decidi implementar uma solução de compromisso: registar no iNaturalist as principais informações recolhidas no terreno, mediante a importação de registos num ficheiro CSV, deixando para mais tarde a elaboração de registos mais completos com suporte fotográfico. Eis as principais etapas do processo:

  • No início de cada observação no terreno, quantificar o grau de invasão (na escala de 0 a 9) e registá-lo fotograficamente (por exemplo usando os dedos). Essas fotos iniciais são "carimbadas" com as coordenadas GPS. Em seguida, fotografar a espécie principal tentando que as fotografias também incluam as principais espécies presentes em redor.
  • Depois de transferir as fotos para o computador, listar todos os nomes de ficheiro e abrir a lista numa folha de cálculo. Percorrer as imagens e registar na folha de cálculo as coordenadas arredondadas à milésima do grau e as espécies observadas (a espécie principal e as outras espécies presentes em redor, nomeadamente as exóticas invasoras). Registar também o nível de invasão.
  • Exportar estes dados para um ficheiro CSV e a partir dele construir um ficheiro BAT que permita agrupar as fotos em pastas, uma para cada "quadrícula" com 0,001 grau de latitude por 0,001 grau de longitude. Confirmar se existe uniformidade no grau de invasão dentro de cada quadrícula.
  • Acrescentar ao ficheiro CSV os dados necessários para que este seja importado para o iNaturalist. Eventualmente registar e usar apenas coordenadas aproximadas, arredondadas à milésima do grau (cerca de 60 metros de erro máximo), para acelerar o registo desta informação.
  • Importar para o iNaturalist os registos do ficheiro CSV.
    As coordenadas registadas manualmente a partir do carimbo na foto poderão não ter toda a precisão, e as observações importadas sem fotos nunca alcançarão Grau de Pesquisa, mas pelo menos fica disponível no iNaturalist alguma informação sobre a verdadeira dispersão de cada espécie no concelho da Lousã. É particularmente importante registar todas as observações de espécies exóticas invasoras e também é importante registar as espécies autóctones ou naturalizadas, arbustivas ou arbóreas, dominantes em cada local, as quais na Lousã provavelmente estarão entre as seguintes: Arbutus unedo, Calluna vulgaris, Castanea sativa, Cistus psilosepalus, Cistus salviifolius, Cistus ladanifer, Cytisus sp., Crataegus monogyna, Daphne gnidium, Erica arborea, Erica ciliaris, Erica cinerea, Erica lusitanica, Erica umbellata, Fragula alnus, Genista falcata, Genista triacanthos, Genista tridentata, Olea europaea, Pinus pinaster, Phillyrea angustifolia, Phillyrea latifolia, Pteridium aquilinum, Quercus robur, Quercus suber, Rhamnus alaternus, Salix sp., Ulex minor.

  • Mais tarde, consoante o tempo disponível, elaborar registos completos com suporte fotográfico. Analisando o mapa de todas as observações já registadas (incluindo as observações importadas, as quais permanecem com grau "casual" / estatuto de "não verificável"), identificar zonas com muitos registos mas nenhum com "grau de pesquisa", localizar as fotografias captadas nessas zonas (o agrupamento em "quadrículas" - uma pasta para cada quadrícula - facilita essa tarefa) e efetuar registos completos das principais espécies aí observadas.

Com este método de trabalho, deverá ser possível obter um mapa bastante completo do nível de invasão no concelho da Lousã dentro de um ano - possivelmente até em menos tempo - sendo então possível identificar áreas prioritárias para preservação a longo prazo.

Ingresado el 22 de julio de 2021 por mferreira mferreira | 0 comentarios | Deja un comentario

01 de julio de 2021

Hakea sericea or Hakea decurrens physocarpa: how did the question arise and how relevant is it?

When I began observing Hakea plants and uploading those observations to iNaturalist, I always identified Hakea plants with terete leaves as Hakea sericea, following the information available at https://invasoras.pt and later https://flora-on.pt where only two Hakea species were mentioned: Hakea sericea with terete leaves and Hakea salicifolia with flat leaves.
To my surprise, many observations of Hakea plants with terete leaves remained unidentified by other users, never reaching Research Grade. At some point I was told that the identity of the Hakea species with terete leaves was being questioned, with several people suggesting that it could be Hakea decurrens physocarpa rather than Hakea sericea.
Worried that this uncertainty could have a negative impact on weed control in Portugal (observations that did not reach Research Grade would not be imported to some databases, affecting the spatial coverage of such databases and any maps produced from them), I tried to learn more about this issue, searching for reliable descriptions of both species and asking for help from Australian and South African naturalists. At some point we seemed to reach a consensus that the Hakea species with terete leaves observed in Portugal is most likely Hakea decurrens physocarpa. Some recent observations, however, suggest that Hakea sericea might be present as well, reopening the question.

Many people have already dedicated tens or hundreds of hours to this issue - but what is the practical relevance of it, regarding weed control?

  • The distinction between Hakea salicifolia and the other two species is absolutely relevant (especially for weed control by volunteers), because
    Hakea salicifolia does not require special precautions (we can walk through a patch of Hakea salicifolia wearing shorts and a T-shirt without being injured), whereas Hakea decurrens and Hakea sericea may cause injuries even when wearing long sleeves, leather gloves and glasses;
    Hakea salicifolia doesn't seem to produce flowers and seeds before 4 years of age (no seed pods seen in Lousã in plants under that age), whereas Hakea sericea and/or Hakea decurrens (whichever species we have in Portugal) apparently produces the first flowers and seeds as soon as 1 year after germination - 3-year-old plants can have hundreds of seeds already.

  • The distinction between Hakea sericea and Hakea decurrens physocarpa does not seem relevant:
    both species are equally hard to remove, requiring special care and equipment;
    both species can produce flowers and seeds at a very early age;
    it is believed that a lignotuber is absent from both species: resprouting after fire was never observed, at least in Lousã.

If we are concerned about weed control and ecosystem preservation - a huge task for which the human resources available are always scarce - perhaps we must be pragmatic and focus on the distinction that is actually relevant: the distinction between the weedy Hakea species with terete leaves (Hakea sericea and/or Hakea decurrens, both in the "Sericea group") and the Hakea species with flat leaves (Hakea salicifolia being the only such species observed in Portugal). If we want to use iNaturalist for that task, encouraging many users to make observations and identifications that can reach Research Grade, then we really should define some taxon that includes Hakea sericea, Hakea decurrens and perhaps other species with terete leaves but excludes Hakea salicifolia. iNaturalist's taxonomy includes the levels "subgenus", "section", and "complex": is there any such taxon that is consensual among botanists and could be used to separate the Hakea species with terete leaves vs flat leaves? This can sound like a petty request from a Portuguese user but it could have practical relevance also for South Africa, New Zealand and perhaps Spain and other countries in the near future.

The efforts to identify the weedy species shall go on, but in the meantime let's make that slight ajustment that would be helpful for the really urgent task: weed control.

Ingresado el 01 de julio de 2021 por mferreira mferreira | 0 comentarios | Deja un comentario

10 de mayo de 2021

Hakea sericea vs Hakea decurrens: an attempt to find reliable observations on iNaturalist

Research Grade:

Without the RG requirement:
https://www.inaturalist.org/observations?place_id=6744&subview=map&taxon_id=321137
https://www.inaturalist.org/observations?place_id=6744&subview=map&taxon_id=709820
Significant overlap, with the same major difference:

  • around Sydney and all the way south to Canberra and Nowra: Hakea sericea but not Hakea decurrens physocarpa;
  • between the Wilsons Promontory and Cape Howe: Hakea decurrens physocarpa but not Hakea sericea.

Hakea decurrens (any subspecies), Research grade:
https://www.inaturalist.org/observations?place_id=6744&quality_grade=research&subview=map&taxon_id=320929

  • some scattered observations around Sydney and Camberra;
  • more observations in the SE, where there are no RG observations of Hakea sericea.

Places where only Hakea sericea is found:

Places where only Hakea decurrens is found:

Some RG observations of Hakea sericea in the Greater Sydney Area with more than 2 IDs:

Some RG observations of Hakea decurrens physocarpa in E. Gippsland - Orbost / South Gippsland - East / Wellington - Alberton (never with more than 2 IDs):

Judging from these observations, reinforced by those from South Africa, I still think that the species observed around Lousã is probably Hakea sericea rather than Hakea decurrens ssp. physocarpa. The leaves are not always perpendicular to the stem, quite the contrary, as can be seen in these observations (among many others):

Ingresado el 10 de mayo de 2021 por mferreira mferreira | 0 comentarios | Deja un comentario

Hakea sericea vs Hakea decurrens (revisited)

According to [1], this is how to identify Hakea sericea:

  • Shrub or small tree(!) up to 4 m (!), with an irregular canopy.
  • Leaves: evergreen, in the shape of a needle of 0,5-1,5 mm diameter, very robust(!), of 4-8 cm, extremely sharp, dark green to greyish-green.
    [Presumably this description applies only to adult plants.]

  • Flowers: white, bland, arranged in axillary fascicles of 1-7 flowers.
  • Fruits: woody follicles, dark brown, with a patent crest and beak, having two black, winged seeds.
  • Flowering: January to April.

(This description might be wrong: the features indicated with (!) actually seem match Hakea decurrens [5] more closely than Hakea sericea [4].)

Mr. Arthur D. Chapman kindly compared the descriptions of Hakea sericea and Hakea decurrens ssp. physocarpa from several sources and organized the information in several comparison tables. The resulting work can be consulted here: https://drive.google.com/file/d/1367CE1j6kS6J4Obqsr5fDdgz2yW9-xgA/view

Some months ago I also tried to contrast the descriptions of both species, from a couple of sources, and compared them with my own observations. In the following,

  • HS refers to Hakea sericea,
  • HDp refers to Hakea decurrens ssp. physocarpa,
  • (+) indicates features that I believe to have seen,
  • (-) for features that I believe not to have seen in the spiky Hakea plants around Lousã,
  • (?) indicates features that are not always present,
  • (??) indicates features that I have not yet confirmed (didn't see or don't remember),
  • (?!) for features whose description is obscure to me,
  • (!!) highlights features that are described differently in different sources,
  • (//) for features for which are indistinctive for both species.

Pistil / gynoecium

  • HS: (-)(4.5–) 5–7 (–7.5) mm long [6]
    HS: gynoecium (-)4–7.5 mm long [7]

  • HD: 8.5–12(+) mm long [6]
    HD: gynoecium 9–12(+) mm long [7]
    HDp: pistil (+)8.5–12.2 mm long [8]

Pedicels (!!)

  • HS: sparsely(??) white-pubescent(+) [4]
    HS: pedicel villous(??) to hirsute(??) [6]
    HS: pedicels villous(??), hairs white [7]

  • HD: pubescent(??) [5]
    HD: appressed(??) pubescent(??) [6]
    HD: tomentose(??) or appressed(??) pubescent(??), hairs white(+) and/or rust-brown(-) [7]
    HDp: pedicels 1.2–4.8(??) mm long [8]

Perianth

  • HS: 4–5(??) mm long, white(+), glabrous(+) [4]
    HS: perianth (-)2.5–4.7 mm long [7]
    HS: perianth white(+) [6]
    HS: flowers white(+), pink in bud(+) [7]

  • HD: 4–7(+) mm long, white(+) or sometimes tinged pink(?), glabrous(+) [5]
    HD: 4.2–7.2(+) mm long [7]
    HD: perianth white(+) or pink(-) [6]
    HDp: perianth 4.2–7.2(+) mm long, glabrous(+) [8]
    HDp: white(+) to pink(-) flowers [8]

Rachis

  • HS: usually simple(?!), mostly 3–8(??) mm long [4]
  • HD: knob-like(?!), [up] to 3(??) mm long [5]
    HDp: rachis simple(?!), 0.5–2.8(??) mm long, with tomentose(??) or appressed(??) white and/or ferruginous (-) hairs, extending onto pedicels(??) [8]

Young branches / branchlets (!!)

  • HS: young branches white(+)-pubescent(?!), glabrescent(+) [4]
    HS: branchlets persistently woolly(-) tomentose(-) [7]

  • HD: new growth glabrous to sparsely(+) or densely(-) hairy [5]
    HD: branchlets quickly glabrescent(+) or persistently(-) and densely(-) tomentose [7]
    HDp: branchlets sparsely(+) to densely(-) appressed-sericeous, quickly glabrescent(+) or persistent to flowering [8]

Leaves (!!)

  • HS: leaves ± at right angles(+) to stem [4]
    [Presumably this applies only to old branches in adult plants.]
    HS: leaves spreading widely(+) to narrowly(+) angled to stem, flexible(+) or rigid(+) [6]
    [In Lousã, all plants less than 3 years old - especially those growing in shaded areas - have flexible branclets and very flexible leaves narrowly angled to stem. This also applies to new branches in slightly older plants, perhaps up to 1.5m high.]

  • HD: leaves spreading widely(?) from stem [5]
    HD: leaves spreading widely(?) from stem, rigid(?) [6]
    HDp: leaves widely spreading, grooved below(?!) to varying extents, 1.5–8(+) cm long, 0.7–1.6(+) mm wide, rapidly glabrescent(??)
    [I never saw any hairy leaves, only hairy branchlets, therefore "glabrescent leaves" doesn't seem to apply.]

Follicle
"Decurrens has smoother(+) fruit than sericea which is tubercular(?!) to deeply wrinkled(-)." [10]
"Fruit on decurrens is narrower(-) and has a prominent beak(+) with two horns(+) but are often eroded. Sericea is broadly ovoid(+) and horns are often obscure(-)." [10]

  • HS: ± globose(+) to ovoid, 25–30(//) mm long, 20–25(//) mm wide, deeply wrinkled(-), beak 3–4(+) mm long, ± smooth(-) [4]
  • HD: ± ovoid, 18–35(//) mm long, 14–36(//) mm wide, covered in discrete warts(+); beak prominent(?!); horns present(+) [5]
    HDp: fruit 2.1–3.2(//) cm long, (-)1.3–2.5 cm wide, finely or coarsely tuberculate(+), obliquely(-) ovate to broadly ovate(-) [8]
    HDp: beak small(+) to moderately large, sparsely pustulate or smooth [8]
    HDp: horns (+)1–5 mm long [8]

Lignotuber

  • HS: not lignotuberous(+) [6]
  • HD: lignotuber present(-) [5]
    HD: lignotuberous(-) [6]

Mucro (!!)

  • HS: 1-3mm(+) long [4]
  • HD: 1mm long [5]
    HDp: apex porrect(?!), with mucro 1–3.5(+) mm long [8]

Overall aspect:
"Sericea appears much denser(+) than decurrens." [10]

  • HS: spreading bushy(+) shrub 1–3 m(+) high [4]
  • HD: spreading shrub(//) to small tree 0.3–5(-) m high [5]
    HDp: small tree or shrub, 0.8–5(-) m tall [8]

Distribution

  • HS: (...) on the coast(-) and adjacent ranges [4]
  • HD: (...) often grows in sandy(-) or rocky(+) situations [5]
    HDp: found in eucalypt(+) forest, damp heath(+) or dry scrubland in hilly(+) areas in sand(-), clay(-), granite(-), basalt(-) or sandstone(?!), from sea-level to 300(?) m [8]
    [Our spiky Hakea trees are present at least 500 meters above sea level.]
    HDp: (...) also in Portugal [9]

GLOSSARY:

  • Adventitious: produced in an unpredictable or unusual position [2]
  • Appressed: pressed closely but not fused, e.g. leaves against a stem [2]
  • Apex: the tip; the point furthest from the point of attachment [2]
  • Bland: mild, smooth, gentle
  • Bud: a compact growth on a plant that develops into a leaf, flower, or shoot
  • Bushy: growing thickly
  • Axillary: coming from the leaf's axil, i.e. the insertion of the leaf [2]
  • Carpel: the basic female reproductive organ in angiosperms, either consisting of a single sporophyll (?!) or a single locule of a compound ovary, with a style and a stigma [2]
  • Crest: a "ridge"
  • Fascicle: a cluster of flowers [2]
  • Follicle: a dry fruit formed from one carpel, splitting along a single suture... [2]
  • Gynoecium: the collective term for all of the carpels of a single flower [2]
  • Hirsute: bearing coarse, rough, longish hairs
  • Lignotuber: a woody swelling of the stem below or just above the ground; contains adventitious buds from which new shoots can develop, e.g. after fire [2]
  • Matted: (especially of hair, wool, or fur) tangled into a thick mass
  • Mucro: a sharp, short point, generally at the tip of a leaf [2]
  • Pedicel: the stalk of a flower [2]
  • Perianth: the collective term for the calyx and corolla of a flower (generally used when the two are too similar to be easily distinguishable) [2]
  • Pistil: 1. a single carpel when the carpels are free / 2. a group of carpels when the carpels are united by the fusion of their walls [2]
  • Porrect: extended forwards
  • Pubescent: covered with short, soft hairs, especially erect hairs [2]
  • Rachis: the axis of an inflorescence [2]
  • Shaggy: having a covering resembling rough, long, thick hair
  • Tomentum: a dense covering of short, matted hairs [2]
  • Tubercle: a small wart-like outgrowth or protuberance of tissue [2]
  • Tuberculate: covered in tubercles
  • Villous: abounding in or covered with long, soft, straight hairs; shaggy with soft hairs [2]
  • Wart: verruga in Portuguese
  • Woolly: very densely covered with long, more or less matted or intertwined hairs, resembling a sheep's wool [2]
  • Wrinkled: having wrinkles or slight folds

REFERENCES:
[1] https://invasoras.pt/en/invasive-plant/hakea-sericea
[2] https://en.wikipedia.org/wiki/Glossary_of_botanical_terms
[3] https://www.inaturalist.org/observations/58692770
[4] https://plantnet.rbgsyd.nsw.gov.au/cgi-bin/NSWfl.pl?page=nswfl&lvl=sp&name=Hakea~sericea
[5] https://plantnet.rbgsyd.nsw.gov.au/cgi-bin/NSWfl.pl?page=nswfl&lvl=sp&name=Hakea~decurrens
[6] https://vicflora.rbg.vic.gov.au/flora/key/2411
[7] https://plantnet.rbgsyd.nsw.gov.au/cgi-bin/NSWfl.pl?page=nswfl&lvl=gn&name=Hakea
[8] http://www.flora.sa.gov.au/efsa/lucid/Hakea/key/Australian%20Hakea%20species/Media/Html/Hakea_decurrens_ssp._physocarpa.htm
[9] https://plantnet.rbgsyd.nsw.gov.au/cgi-bin/NSWfl.pl?page=nswfl&lvl=in&name=Hakea~decurrens+subsp.~physocarpa
[10] https://www.inaturalist.org/observations/59023578#activity_comment_5413253
@belmontmargie: another person, with a lot of plant knowledge, says decurrens has smoother fruit than sericea which is tubercular to deeply wrinkled. Sericea appears much denser than decurrens. leaves in decurrens are widely spreading as in your photo. Fruit on decurrens is narrower and has a prominent beak with two horns but are often eroded. Sericea is broadly ovoid and horns are often obscure.

Ingresado el 10 de mayo de 2021 por mferreira mferreira | 0 comentarios | Deja un comentario

17 de abril de 2021

Espécies e famílias prioritárias para observação e identificação na Lousã

Com vista à identificação de áreas prioritárias para conservação na Lousã, tenho tentado registar a biodiversidade existente em vários locais, sempre com a esperança de encontrar alguma espécie rara. Para aumentar a probabilidade desse encontro preciso de aprender mais sobre as espécies e os géneros e famílias correspondentes. Por outro lado, também pretendo intensificar a identificação de observações de outros utilizadores, pois neste momento tenho mais observações do que identificações. Uma forma de conciliar os dois objetivos é enumerar algumas famílias prioritárias para identificação (famílias que incluam espécies raras potencialmente presentes na Lousã e que tenham uma grande percentagem de observações sem identificação) e dedicar mais tempo à identificação de observações dessas famílias: ao fazê-lo não só estarei a ajudar outros utilizadores como estarei a aprender mais sobre essas famílias, aumentando a probabilidade de identificar uma espécie rara se a encontrar.

Começo por elaborar uma lista das espécies referidas na Lista Vermelha da Flora Vascular em Portugal [1] que possam ocorrer na Lousã. Os grupos ecológios/geográficos mais relevantes (página 66) serão os seguintes, mais ou menos por ordem decrescente de relevância:

  • p.146 Serras do Centro
  • p.157 Bosques e galerias ripícolas (Noroeste e Centro)
  • p.122 Serras do Noroeste
  • p.83 Bosques e galerias ripícolas (Beira interior)
  • p.98 Lameiros e outros prados
  • p.105 Grandes vales mediterrânicos

Eis algumas espécies em perigo observadas nessas regiões, nomeadamente perto da Lousã ou em locais com caraterísticas vagamente semelhantes:

  • Amaryllidaceae > Allium ericetorum
  • Amaryllidaceae > Narcissus cyclamineus
  • Apiaceae > Berula erecta
  • Apiaceae > Eryngium viviparum
  • Apiaceae > Pastinaca sativa
  • Apiaceae > Selinum broteri
  • Asparagaceae > Anthericum liliago
  • Asteraceae > Avellara fistulosa
  • Asteraceae > Doronicum carpetanum
  • Asteraceae > Jurinea humilis
  • Asteraceae > Senecio doria
  • Asteraceae > Senecio nemorensis
  • Blechnaceae > Woodwardia radicans
  • Brassicaceae > Arabis beirana (endemismo raro)
  • Brassicaceae > Erysimum lagascae
  • Caryophyllaceae > Dianthus laricifolius (endemismo)
  • Caryophyllaceae > Lychnis flos-cuculi
  • Culcitaceae > Culcita macrocarpa
  • Cyperaceae > Carex durieui
  • Cyperaceae > Eleocharis acicularis
  • Cyperaceae > Rhynchospora alba
  • Dipsacaceae > Knautia nevadensis
  • Dipsacaceae > Succisa pinnatifida
  • Dipsacaceae > Succisella carvalhoana
  • Dryopteridaceae > Dryopteris carthusiana
  • Dryopteridaceae > Dryopteris guanchica
  • Ericaceae > Monotropa hypopitys
  • Fabaceae > Astragalus glycyphyllos
  • Fabaceae > Genista berberidea
  • Fabaceae > Vicia orobus
  • Hymenophyllaceae > Vandenboschia speciosa
  • Lamiaceae > Nepeta caerulea
  • Lamiaceae > Stachys palustris
  • Liliaceae > Lilium martagon
  • Lycopodiaceae > Lycopodiella inundata
  • Lycopodiaceae > Palhinhaea cernua
  • Menyanthaceae > Menyanthes trifoliata
  • Ophioglossaceae > Ophioglossum vulgatum
  • Orchidaceae > Cephalanthera rubra
  • Orchidaceae > Epipactis fageticola
  • Orchidaceae > Neotinea/Orchis ustulata (endemismo raro)
  • Orchidaceae > Neottia nidus-avis
  • Orchidaceae > Platanthera bifolia (supostamente presente na Lousã apesar de preferir substratos alcalinos)
  • Primulaceae > Lysimachia ephemerum
  • Ranunculaceae > Anemone nemorosa
  • Ranunculaceae > Ranunculus henriquesii (endemismo)
  • Rosaceae > Potentilla montana
  • Rosaceae > Rosa rubiginosa
  • Rosaceae > Rubus genevieri (eventualmente terá sido observada por mim na Lousã)
  • Rosaceae > Sorbus aria
  • Rosaceae > Sorbus latifolia (possivelmente já avistado entre o Freixo e Ceira dos Vales)
  • Rosaceae > Sorbus torminalis
  • Santalaceae > Viscum album
  • Taxaceae > Taxus baccata
  • Thymelaeaceae > Thymelaea broteriana
  • Valerianaceae > Valeriana dioica
  • Valerianaceae > Valeriana montana
  • Valerianaceae > Valeriana officinalis
  • Xanthorrhoeaceae > Asphodelus bento-rainhae (endemismo raro)

Comecemos por analisar o número total de observações e o número de espécies observadas de cada uma destas famílias na Lousã (concelho da Lousã e SIC Natura 2000 Serra da Lousã) [2]:

  • 71/29 Asteraceae
  • 106/23 Fabaceae
  • 46/15 Lamiaceae
  • 48/11 Rosaceae
  • 104/9 Ericaceae
  • 20/9 Brassicaceae
  • 23/7 Ranunculaceae
  • 36/5 Asparagaceae
  • 17/5 Caryophyllaceae
  • 13/4 Amaryllidaceae
  • 10/4 Xanthorrhoeaceae
  • 9/4 Apiaceae
  • 6/4 Orchidaceae
  • 6/3 Primulaceae
  • 5/2 Dryopteridaceae
  • 2/2 Cyperaceae
  • 9/1 Thymelaeaceae
  • 3/1 Santalaceae
  • 1/1 Blechnaceae
  • 1/1 Valerianaceae
  • 0/0 Culcitaceae
  • 0/0 Dipsacaceae
  • 0/0 Hymenophyllaceae
  • 0/0 Liliaceae
  • 0/0 Lycopodiaceae
  • 0/0 Menyanthaceae
  • 0/0 Ophioglossaceae
  • 0/0 Taxaceae

Existem 15 famílias com pelo menos 2 espécies autóctones observadas e pelo menos 5 observações na Lousã. Para cada uma dessas famílias calculemos a razão entre o número total de observações na Lousã e o número de observações GP em Portugal continental:

  • 1/11 Dryopteridaceae (5/55)
  • 1/22 Ericaceae (104/2278)
  • 1/30 Rosaceae (48/1420)
  • 1/34 Xanthorrhoeaceae (10/336)
  • 1/49 Ranunculaceae (23/1125)
  • 1/69 Fabaceae (106/7272)
  • 1/81 Brassicaceae (20/1611)
  • 1/85 Asparagaceae (36/3072)
  • 1/85 Lamiaceae (46/3917)
  • 1/117 Caryophyllaceae (17/1990)
  • 1/121 Asteraceae (71/8614)
  • 1/144 Primulaceae (6/862)
  • 1/150 Amaryllidaceae (13/1945)
  • 1/224 Apiaceae (9/2014)
  • 1/1189 Orchidaceae (6/7135)

11 destas famílias têm na Lousã pelo menos 15 observações ou pelo menos 1% das observações em Portugal Continental. Consideremos essas como as famílias prioritárias para observação e identificação na Lousã. Para terminar, calculemos para cada uma dessas famílias a razão entre o número de observações verificáveis de outros utilizadores que precisam de identificação e o número de observações GP no distrito de Coimbra: as famílias em que esse quociente é mais elevado (sobretudo as que incluem endemismos raros) serão aquelas às quais darei prioridade na identificação de observações de outros utilizadores.

  • 1,15 Xanthorrhoeaceae (20-5)/13
  • 1,12 Rosaceae (140-21)/106
  • 1,11 Asteraceae (399-41)/323
  • 0,98 Ranunculaceae (66-9)/58
  • 0,88 Brassicaceae (53-15)/43
  • 0,82 Fabaceae excluindo exóticas [(258-30)-(84-23)]/(874-671); 0,20 se as incluirmos (258-84)/874
  • 0,57 Caryophyllaceae (45-6)/69
  • 0,32 Lamiaceae (76-9)/207
  • 0,25 Dryopteridaceae (4-0)/16
  • 0,21 Asparagaceae (35-4)/145
  • 0,07 Ericaceae (30-15)/205

Assim, as 10 famílias prioritárias são (4 endemismos assinalados com o género escrito em maiúsculas):

[1] https://listavermelha-flora.pt/wp-content/uploads/2020/10/Lista_Vermelha_Flora_Vascular_Portugal_Continental_2020_versao_digital.pdf
[2] https://www.biodiversity4all.org/projects/biodiversidade-autoctone-da-lousa

Ingresado el 17 de abril de 2021 por mferreira mferreira | 0 comentarios | Deja un comentario

15 de marzo de 2021

Nível de invasão por espécies exóticas: escala simplificada baseada na percentagem de área invadida

  • Nível 0: probabilidade de invasão num prazo de 5 anos inferior a 50%.
  • Nível 1: probabilidade a 5 anos superior ou igual a 50% mas sem invasão visível no momento da observação.
  • Níveis 2-6: a percentagem máxima de área invadida segue uma progressão geométrica de razão 5; o nível de invasão 5 corresponde a um máximo de 5% de área invadida.
  • Níveis 6-8: a percentagem mínima de área não invadida segue uma progressão geométrica de razão 1/5.

Desta definição resultam os seguintes intervalos para a percentagem de área invadida:

  • Nível 2: 0+ - 0,04
  • Nível 3: 0,04 - 0,2
  • Nível 4: 0,2 - 1
  • Nível 5: 1 - 5
  • Nível 6: 5 - 25 (mínimo 75% de área não invadida)
  • Nível 7: 25 - 85 (mínimo 15% de área não invadida)
  • Nível 8: 85 - 97 (mínimo 3% de área não invadida)
  • Nível 9: 97 - 100

Vantagens desta escala:

  • Define-se em poucas palavras, o que lhe confere objetividade e facilita a memorização e aplicação.
  • Os valores de corte para os vários níveis são fáceis de calcular e memorizar pois baseiam-se no número 5.
  • É aproximadamente equivalente às versões anteriores da escala e não se afasta dos valores de corte que têm sido considerados na prática.
  • Por ser coerente com a definição original, continua a ser possível afirmar-se que os níveis 2 e 3 são "aptos para ações de voluntariado", os níveis 4 e 5 "requerem intervenção técnica", o nível 6 "pode ser controlado mas não revertido" e os níveis 7 a 9 são "irreversíveis".
  • Segue aproximadamente um modelo logístico, na medida em que apresenta convergência aproximadamente exponencial para os dois valores limite (o modelo logístico que minimiza o erro relativo face aos valores de corte desta escala é aproximadamente y=100/(1+159000.e^(-1,89x))).
  • Sendo esta escala compatível com o modelo logístico, é razoável supor que o tempo de permanência em cada nível intermédio (de 1 a 8) seja aproximadamente igual em todos esses níveis.

O critério para distinção entre os níveis 0 e 1 não é um critério arbitrário baseado no número 5: ele respeita o princípio de que o tempo de permanência em cada nível seja aproximadamente constante. A experiência no terreno sugere que esse tempo seja de aproximadamente 7 anos em cada um dos níveis 2 a 8; pretende-se que a permanência no nível 1 também tenha uma duração média de 7 anos.
É razoável admitir que a ocorrência de invasão num local em risco (nível 1) seja um processo de Poisson, o que implica que o tempo até à ocorrência da invasão siga uma distribuição exponencial com valor médio 7. A função de distribuição correspondente é F(t)=1-e^(-t/7) e de acordo com esse modelo a probabilidade de ocorrência de invasão num prazo de 5 anos será F(5)=1-e^(-5/7) cujo valor é aproximadamente 0,5 (50%).

Ainda sobre a estimativa de 7 anos para o tempo de permanência em cada nível: se a área invadida é multiplicada por 5 a cada 7 anos, então o tempo necessário para a duplicação da área invadida é t=7log(2)/log(5), muito próximo de 3 anos. Este valor está inteiramente de acordo com a perceção subjetiva resultante de muitas centenas de horas de observação de áreas invadidas por acácias ao longo dos últimos anos.

Ingresado el 15 de marzo de 2021 por mferreira mferreira | 0 comentarios | Deja un comentario
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